02/04/2025
Algumas crianças reagem com entusiasmo a mudanças, enquanto outras preferem a segurança da rotina. Há quem fale pelos cotovelos e quem observe em silêncio. Essas diferenças de comportamento fazem parte do processo de construção da personalidade, algo que começa ainda nos primeiros meses de vida e se desenvolve ao longo de toda a infância. Os traços iniciais, como o temperamento, já indicam tendências individuais, mas são moldados por estímulos, relações e contextos.
Identificar a personalidade de uma criança exige tempo e atenção. Gestos simples, como insistir em montar um brinquedo até o fim ou hesitar antes de se juntar a outras crianças, podem revelar traços importantes, como perseverança ou introversão. O olhar atento dos adultos permite entender melhor as necessidades emocionais e sociais da criança, criando oportunidades mais adequadas para seu crescimento pessoal.
“Compreender a personalidade dos nossos alunos nos ajuda a construir caminhos mais empáticos e eficazes para o aprendizado”, comenta Silvia Sachete, coordenadora do Fundamental II e Médio do Colégio Villa-Lobos, de São Bernardo do Campo (SP). O ambiente escolar, de fato, é um espaço onde traços de personalidade se manifestam com força: seja na forma como a criança lida com tarefas em grupo, na preferência por atividades criativas ou na maneira como administra frustrações.
Mudanças significativas na vida de uma criança, como a chegada de um irmão ou a troca de escola, também influenciam na formação da personalidade. Elas moldam sua forma de enxergar o mundo e de se posicionar nele. Por isso, um ambiente familiar estável, com espaço para diálogo e expressão emocional, é um alicerce importante para o desenvolvimento de uma identidade segura e equilibrada.
Autoras e autores como Piaget, Wallon e Vygotsky ajudaram a aprofundar essa compreensão. Para Piaget, a interação ativa com o mundo é essencial no desenvolvimento; Wallon destacou o papel das emoções nas primeiras fases da vida; e Vygotsky enfatizou a importância do convívio social e da linguagem na construção da identidade.
Silvia Sachete acrescenta: “Valorizar as diferenças entre as crianças é reconhecer que cada uma tem seu ritmo e sua forma de se expressar. Isso deve ser respeitado em casa e na escola”. Evitar comparações entre irmãos, escutar o que a criança sente e oferecer apoio nos momentos difíceis são atitudes que fortalecem a autoestima e ajudam na formação de uma personalidade saudável.
Para saber mais sobre personalidade infantil, visite https://institutoneurosaber.com.br/artigos/concepcoes-psicologicas-na-construcao-da-personalidade-infantil-2/ e https://www.ninhosdobrasil.com.br/personalidade-infantil-desenvolvimento