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jovem olhando no celular

Estudantes que adiam tarefas podem aprender a agir

11/08/2025

Trabalhos iniciados na véspera, provas estudadas tarde da noite, tarefas ignoradas até o último momento. O padrão é comum, mas quando se repete com frequência e passa a comprometer o desempenho escolar, estamos diante de um problema que exige atenção: a procrastinação.

A diferença entre um atraso pontual e um comportamento procrastinador está na repetição e no prejuízo que causa. Não se trata apenas de falta de vontade ou distração, mas de uma dificuldade real em iniciar ou concluir tarefas, mesmo quando o aluno tem consciência das consequências negativas de seu adiamento. Em muitos casos, esse comportamento vem acompanhado de sentimentos como culpa, frustração, ansiedade e queda de autoestima.

A neurociência mostra que o córtex pré-frontal — região do cérebro responsável por planejamento, tomada de decisões e controle de impulsos — é diretamente afetado em momentos de procrastinação. Quando esse sistema está sobrecarregado ou desregulado, tendemos a adiar o que precisa ser feito. E isso é particularmente comum entre adolescentes, que ainda estão em desenvolvimento nessa área cerebral.

Procrastinação pode ser vencida com estratégias diárias

As causas da procrastinação escolar são variadas. Além das razões fisiológicas, fatores emocionais pesam muito: medo de errar, perfeccionismo, autocrítica, sensação de incapacidade, baixa autoestima, ansiedade e dificuldade de lidar com a pressão estão entre os principais gatilhos. Também há situações em que o aluno não compreende o sentido do que está estudando ou sente que não tem autonomia para participar das decisões sobre sua aprendizagem. "A procrastinação muitas vezes não é fruto de preguiça, mas de bloqueios internos que o próprio estudante ainda não consegue identificar claramente", afirma Silvia Sachete, coordenadora do Fundamental II e Médio do Colégio Villa-Lobos, de São Bernardo do Campo (SP). 

Identificar os gatilhos da procrastinação é o primeiro passo. Quando o aluno se pergunta por que está adiando determinada tarefa, pode encontrar respostas como medo de fracassar, dúvidas não esclarecidas, desconforto com a matéria ou mesmo cansaço. Ao compreender o motivo, torna-se mais fácil encontrar soluções. Por exemplo: se a tarefa parece muito grande, pode ser dividida em etapas menores. Se o ambiente é ruidoso, é possível buscar um local mais adequado.

Algumas estratégias práticas ajudam a combater a procrastinação. Uma das mais conhecidas é a técnica Pomodoro, que propõe estudar por blocos de 25 minutos, com cinco minutos de pausa entre eles. Esse método permite manter o foco sem sobrecarregar a mente. Outra dica é alternar tarefas mais complexas com outras mais leves, evitando a sensação de esgotamento.

Organizar o ambiente de estudo também faz diferença. Espaços desorganizados, com muitos estímulos visuais ou barulhos, dificultam a concentração. Preparar o local com antecedência, deixar o celular longe e manter apenas o material necessário por perto ajuda a criar uma atmosfera propícia ao estudo.

A ideia de que é preciso estar motivado para começar é outro equívoco comum. Na verdade, a ação é que gera motivação, e não o contrário. Esperar pelo momento ideal quase sempre leva a mais adiamento. Mesmo que o aluno não esteja com vontade, dar o primeiro passo, mesmo que pequeno, já é um grande avanço.

Outra estratégia eficiente é a reavaliação cognitiva, ou seja, mudar a forma como se encara a tarefa. Em vez de pensar “enquanto isso não acabar, não posso descansar”, o aluno pode pensar “se eu fizer 30 minutos agora, já terei adiantado um pouco”. Essa mudança de perspectiva reduz a pressão e aumenta o senso de controle.

Visualizar os benefícios da ação também ajuda. Imaginar o alívio de concluir uma tarefa, a satisfação de ver um plano cumprido ou o bem-estar de não acumular pendências pode ser um estímulo para agir. Nesse sentido, a técnica “se-então” é bastante eficiente: “Se eu terminar este exercício agora, então poderei assistir a um episódio da minha série favorita”. Essa previsibilidade ajuda a reforçar o comportamento.

Em alguns casos, a procrastinação está ligada a questões emocionais mais profundas, como ansiedade, transtorno do déficit de atenção ou depressão. Quando o comportamento é persistente, causa sofrimento e prejudica de forma significativa a rotina, é importante buscar o apoio de um psicólogo. O acompanhamento profissional pode ajudar o estudante a desenvolver ferramentas para lidar com esses bloqueios.

A família também desempenha um papel essencial

Evitar cobranças excessivas, respeitar o ritmo do estudante e demonstrar apoio são atitudes que fortalecem a autoconfiança. Em vez de criticar ou rotular, é mais eficaz oferecer apoio para a criação de uma rotina equilibrada. Combinar metas diárias realistas, conversar sobre as dificuldades e reconhecer os pequenos progressos cria um ambiente de incentivo.

Procrastinar é algo que todos fazem em algum momento. O importante é reconhecer quando isso se torna um hábito prejudicial e tomar medidas para enfrentá-lo. Mudanças de comportamento acontecem aos poucos, por isso é essencial cultivar a paciência e comemorar cada avanço. Desenvolver o autoconhecimento, ajustar expectativas, melhorar o ambiente e adotar estratégias simples são atitudes que transformam a relação do estudante com os estudos.

No final das contas, vencer a procrastinação não significa se tornar perfeito ou extremamente produtivo, mas conseguir agir mesmo diante da vontade de adiar. O estudante que aprende a reconhecer seus desafios e a enfrentá-los de forma gradual desenvolve uma competência que vai muito além do desempenho escolar: a autonomia sobre o próprio tempo e sobre suas escolhas.

Para saber mais sobre procrastinação, visite https://educador.brasilescola.uol.com.br/sugestoes-pais-professores/procrastinacaoestudo-sempre-fica-para-depois.htmhttps://napratica.org.br/dicas-como-parar-de-procrastinar/

 


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