Home
27/08/2025
Estima-se que três em cada quatro crianças apresentem, até os 15 anos, ao menos um episódio de dor de cabeça intensa. Apesar de parecer um sintoma comum, a persistência ou a repetição desses episódios pode indicar situações que precisam ser investigadas. O impacto vai além do desconforto momentâneo: a dor de cabeça interfere no aprendizado, prejudica a concentração e compromete a qualidade de vida.
Muitas vezes, o desafio está em reconhecer os sinais. Crianças não conseguem descrever com clareza a intensidade ou o tipo de dor que sentem. Em vez disso, demonstram incômodo por meio de mudanças de comportamento. É comum que busquem ambientes silenciosos e escuros, apresentem irritabilidade, recusem-se a participar de atividades ou passem a ter baixo rendimento escolar. Essas manifestações são importantes alertas para os pais.
A cefaleia tensional é uma das causas mais comuns em crianças e adolescentes. Geralmente está relacionada ao estresse, excesso de atividades ou tensão muscular. A dor tende a ser difusa e de intensidade moderada, mas, quando repetitiva, pode comprometer bastante a rotina escolar.
A enxaqueca infantil, por outro lado, costuma durar de 30 minutos a uma hora, mas é mais intensa e incapacitante. Ela pode vir acompanhada de náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e ao som. Diferentemente do que ocorre em adultos, que muitas vezes apresentam dor em apenas um lado da cabeça, nas crianças é frequente que a dor seja bilateral, atingindo a testa ou as têmporas.
Questões oftalmológicas também aparecem como vilãs silenciosas. Crianças com hipermetropia, por exemplo, precisam forçar os olhos para enxergar de perto, o que pode provocar dor de cabeça após períodos prolongados de leitura ou estudo. Outro fator é a insuficiência de convergência, que dificulta o foco em objetos próximos e pode causar visão turva, cansaço visual e até duplicação de palavras. Muitas vezes, uma simples consulta com oftalmologista esclarece se o problema está relacionado à visão e se o uso de óculos ou exercícios oculares pode resolver a situação.
Além dessas causas, outras condições precisam ser descartadas. Infecções, processos inflamatórios e, em casos muito raros, doenças neurológicas graves podem estar relacionadas à dor persistente. O pseudotumor cerebral, por exemplo, é um distúrbio que aumenta a pressão intracraniana e provoca dor contínua, acompanhado de inchaço nos nervos ópticos. Tumores cerebrais são raríssimos, mas, quando presentes, costumam vir associados a sintomas neurológicos, como fraqueza, dificuldade de coordenação motora ou desequilíbrio.
“É fundamental que os pais estejam atentos à frequência e ao contexto em que a dor aparece. Muitas vezes, o sintoma se repete em situações específicas e isso ajuda a direcionar a investigação médica”, explica Angela Ledo, coordenadora de Educação Infantil do Colégio Villa-Lobos, de São Bernardo do Campo (SP).
Nem toda dor exige atendimento imediato, mas existem sinais que indicam a necessidade de procurar o médico com urgência. São eles:
Dores muito intensas, que surgem de repente ou acordam a criança durante a noite.
Episódios frequentes, que se repetem mais de 15 vezes em um mês.
Dores acompanhadas de febre, vômitos em jato, alterações na visão ou rigidez no pescoço.
Mudanças de comportamento, como sonolência excessiva, irritabilidade ou dificuldade de concentração.
Fraqueza nos membros, falta de coordenação ou crises convulsivas.
Histórico de traumatismo craniano recente seguido de dor persistente.
Em situações sem sinais de gravidade, o primeiro passo é levar a criança ao pediatra. Ele pode solicitar que os pais mantenham um diário da dor, registrando data, horário, intensidade, duração, possíveis gatilhos e o que foi feito para aliviar o sintoma. Esse registro costuma ser valioso para identificar padrões e causas, facilitando o diagnóstico.
Entre os fatores que mais se repetem como desencadeadores de dor de cabeça estão jejum prolongado, noites mal dormidas, uso excessivo de telas, exposição a barulhos intensos e consumo de alimentos ultraprocessados ou ricos em conservantes. Alterações climáticas também podem atuar como gatilhos, especialmente em crianças predispostas à enxaqueca.
Em muitos casos, pequenas mudanças de rotina ajudam a reduzir a frequência das dores. Uma alimentação equilibrada, com intervalos regulares entre as refeições, auxilia a evitar crises desencadeadas pelo jejum. O sono de qualidade é outro fator essencial: crianças em idade escolar precisam de pelo menos nove horas de descanso por noite para garantir equilíbrio físico e emocional.
A redução do tempo em frente a telas também é uma medida importante. O uso prolongado de celulares, computadores e televisores exige esforço visual intenso e pode desencadear dor de cabeça, especialmente quando não há pausas adequadas. Incentivar atividades físicas regulares é outro passo positivo, pois ajuda a diminuir o estresse e favorece a liberação de endorfina, que atua como analgésico natural.
Além dos aspectos físicos, é preciso considerar o lado emocional. Situações de ansiedade, insegurança, bullying escolar ou tensões familiares podem levar a manifestações somáticas, como dor de cabeça frequente. Nesse cenário, o apoio psicológico contribui para que a criança desenvolva estratégias de enfrentamento e consiga lidar melhor com as emoções. “É preciso lembrar que a dor pode ser reflexo do corpo e também das emoções. Observar esse conjunto é a chave para oferecer apoio integral”, reforça Angela Ledo.
Embora seja um sintoma comum, a dor de cabeça não deve ser ignorada. Quando os episódios se tornam persistentes, cabe aos pais buscar orientação médica e compreender que a prevenção é parte fundamental do cuidado. Escutar as queixas da criança, observar seus comportamentos e valorizar o que ela expressa são atitudes que fazem diferença para um diagnóstico precoce.
O acompanhamento clínico pode incluir consultas com pediatras, neurologistas ou oftalmologistas, conforme a suspeita do médico. Em casos mais complexos, equipes multidisciplinares oferecem suporte para tratar tanto a dor em si quanto os fatores emocionais envolvidos.
Garantir qualidade de vida significa não deixar que sintomas recorrentes sejam normalizados. Com atenção, informação e cuidado, a dor de cabeça pode ser controlada de forma eficaz, permitindo que a criança continue suas atividades de aprendizado e lazer sem limitações.
Para saber mais sobre dor de cabeça, visite https://neurocop.com.br/blog/dor-de-cabeca-em-crianca/ e https://sbop.com.br/paciente/doenca/dor-de-cabeca-cefaleia-em-crianca/